Washington, 13 mar (EFE).- A Enciclopédia Britânica, a mais antiga do mundo em inglês, anunciará na quarta-feira o fechamento de sua edição em papel, 244 anos depois que seu primeiro exemplar foi publicado em Edimburgo, na Irlanda, em 1768.

A companhia, que hoje tem sua sede em Chicago, nos Estados Unidos, deve anunciar que se concentrará em sua enciclopédia digital e na elaboração de material para escolas, antecipou nesta terça-feira o site do jornal 'The New York Times'.

A decisão é uma tentativa de adaptar-se à crescente demanda por conteúdos digitais e, em particular, à concorrência da popular Wikipédia, afirmou ao site o presidente da companhia, Jorge Cauz.

'É como um rito de iniciação nesta nova era. Muitos se sentirão tristes e nostálgicos por isso, mas agora temos uma ferramenta melhor. O site está constantemente atualizado, é muito mais extenso e tem conteúdos multimídia', destacou Cauz.

Os pesados volumes da enciclopédia, com suas letras douradas na lombada, foram um objeto quase básico nas famílias britânicas e americanas desde meados do século 20, quando centenas de vendedores ambulantes os ofereciam de porta em porta.

Hoje, no entanto, a enciclopédia é quase um objeto de luxo, com um preço de US$ 1,4 mil pela edição completa, e seus clientes mais fiéis são as embaixadas e os colecionadores, segundo o 'NYT'.

A última edição da Enciclopédia Britânica será a de 2010, um conjunto de 32 volumes que pesa 129 quilos e inclui atualizações sobre o aquecimento global e o Projeto Genoma Humano.

A versão impressa da enciclopédia representa apenas 1% da receita da companhia. Cerca de 85% vêm da venda de produtos do currículo escolar em disciplinas como matemática e ciências, enquanto o restante, de acordo com o 'NYT', vem de assinaturas do site.

A Enciclopédia Britânica se transformou em 1994 na primeira do mundo a chegar à internet, e hoje, o acesso a sua enciclopédia digital, que é atualizada a cada 20 minutos, custa uma taxa de US$ 70 anuais.

Embora alguns de seus artigos já possam ser consultados de forma gratuita em seu portal, Cauz descarta que a companhia passe a oferecer seus verbetes em um modelo gratuito. EFE

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