Washington, 29 nov (EFE).- O Governo dos EUA abriu uma investigação sobre o vazamento de documentos diplomáticos americanos, que qualificou nesta segunda-feira de "crime" e um ataque à comunidade internacional, em uma tentativa de diminuir os danos causados pela publicação.

Em entrevista coletiva, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, assegurou que o vazamento da página de internet Wikileaks representa "uma violação grave da lei e uma ameaça grave para nossa política externa".

O presidente dos EUA, Barack Obama, foi informado na semana passada do alcance e da amplitude do vazamento.

"É pouco dizer que o presidente não está contente" com a publicação dos mais de 250 mil documentos diplomáticos neste fim de semana, assinalou o porta-voz.

Embora Obama, pessoalmente, não tenha entrado em contato com nenhuma autoridade estrangeira sobre o assunto, a atitude foi tomada pela secretária de Estado, Hillary Clinton.

Gibbs indicou que a Casa Branca tem várias alternativas para responder ao vazamento, sem descartar a possibilidade de tomar medidas legais.

Por enquanto, já ordenou uma revisão de como os departamentos governamentais protegem a informação classificada.

O Departamento de Estado indicou que serão tomadas medidas para melhorar a supervisão das comunicações diplomáticas.

O anúncio ocorre depois de o Pentágono ter revelado, no domingo, medidas para impedir que se repitam filtragens deste alcance. Entre elas, será tecnicamente impossível copiar informação em pen drive ou CD de computadores protegidos.

"Os responsáveis por este vazamento são criminosos", declarou o porta-voz.

No entanto, insistiu que o vazamento em si "não impactará de maneira significativa uma política externa que achamos que é a melhor" para os EUA.

"Seguiremos, e nossos diplomatas seguirão fazendo avançar a cada dia os interesses de nosso país e de nosso povo", manifestou Gibbs.

O porta-voz da Casa Branca não foi o único a condenar os termos mais duros do vazamento.

Em um comparecimento perante a imprensa, Hillary assinalou, por sua parte, que o vazamento é um ataque não só "à diplomacia dos EUA, mas à comunidade internacional".

Os "Estados Unidos condenam firmemente a publicação ilegal de informação, que coloca a vida de pessoas em perigo, ameaça nossa segurança nacional e prejudica nossos esforços para trabalhar com outros países", disse a secretária de Estado.

O Wikileaks divulgou mais de 250 mil documentos, alguns deles secretos, referidos principalmente às comunicações do Departamento de Estado com mais de 270 embaixadas, consulados e missões diplomáticas dos EUA no mundo todo.

Esta revelação "não é só um ataque aos interesses da política externa americana, é um ataque à comunidade internacional", um ataque "às alianças e negociações que estão em andamento em nível internacional" para buscar a paz e a prosperidade no mundo, disse Hillary.

Enquanto ocorriam declarações de condenação ao vazamento, o secretário de Justiça, Eric Holder, informou que seu departamento abriu uma investigação criminal.

O Departamento, indicou, mantém aberta uma investigação criminal junto ao Departamento de Defesa, para determinar as responsabilidades do vazamento.

"Ainda não posso adiantar resultados, mas a investigação está em andamento", apontou em um comparecimento perante a imprensa.

O vazamento criou uma profunda dor de cabeça ao Governo dos EUA, ao revelar opiniões de diplomatas sobre líderes estrangeiros e manobras diplomáticas americanas até então desconhecidas. EFE